A bêbada do banheiro

Trabalhei com uma menina que tinha um Q de engraçado. Ela era espontaneamente hilária, principalmente sob efeito de álcool.

Numa dessas crises etílicas, estava num bar eu, ela e mais duas colegas. Conversávamos animadamente sobre tudo que ia de sapatos a saco escrotal na velocidade em que o álcool fazia efeito.

Ela bebia profissionalmente. Era uma esponja, sedenta. Enquanto estávamos no 1º gole, aquele do brinde, ela já estava pedindo o 2º chopp.

Foi quando ela disse.

“Preciso fazer xixiiii.” - declarou ela esticando o i para dar ênfase a vontade. E se levantou cambaleante e foi em direção ao toalete. Da mesa, nós ríamos dela trocando as pernas enquanto tentava seguir uma linha reta.

Algum tempo depois volta ela pálida, sem lembrar em nada a trêbada que foi ao banheiro e dispara “Vamos embora. AGORA!”

Tentamos argumentar, mas ela estava determinada. Pedimos a conta, meio sem entender a pressa dela e saímos. No caminho em direção ao carro, ela confessa.

“Porra, derrubei a divisória de granito do banheiro. Fez um barulho do caralho. Levei um puta susto que meu porre sumiu.”

Divisória de granito?

“É, porra. Tá bêbada? Aquela parede que divide um vaso sanitário do outro. Me apoiei e a porra caiu. Ainda bem que não tinha ninguém do lado. Na verdade nem vi, Saí voada de lá. Fiquei com um cagaço de alguém ver e vir cobrar da gente.”

E nós, bêbadas, não conseguíamos parar de rir. Da situação, e da cara dela de desesperada.

Dizem que adrenalina cura porre. Tá provado que é verdade.

SFA. Quando estiver de pileque, segue o conselho: Não se apóie na divisória de granito do banheiro. Procure uma parede de verdade, de tijolos mesmo.

εϊз Farfalla bacio

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Almoço de merda

Sentei para almoçar numa mesa de 4 pessoas onde já estavam à mesa duas jovens.
Após me sentar instantaneamente identifiquei que se tratavam de duas jovens mães.
Elas conversavam sobre seus pimpolhos que pareciam regular em torno da mesma idade.
Bebezices pra lá e pra cá, elas começam a falar sobre assuntos não tão fofos.
Entre fraldas e mamadas o papo cambou para o coco de um deles.
Como se não fosse suficiente mencionar a obra prima do seu bebê, a mãe narrava detalhes escatológicos.
Cor, textura, “aroma”, forma… tudo. Quase perguntei: “E o gosto era bom?”.

Pô.
Na boa.
Nada contra assuntos maternais ou coisas afins, mas ficar falando somente sobre o coco do bebê como se fosse um acontecimento fantástico e agradável já é demais.

E ela ainda se queixou com a amiga que o marido estava sem paciência com ela, e andava reclamando que ela não tinha mais assunto para ele.

Concordo com ele. Coitado deste pobre homem.
Não sou machista nem feminista. Sou a favor do bom senso.
Tão chato quanto uma mulher fútil que só fala de bolsas, sapatos e roupas e uma mulher que só fala nenenês.

SFA. Almoço literalmente de merda que eu tive.

εϊз Farfalla bacio

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Folião na gaiola das loucas

Almoçando às pressas, quase atrasada para ir à manicure, mas mantendo a dignidade e fazendo uma escolha descente como refeição, ouço um grupo ao lado falando sobre o Carnaval e outras.

Um dos dois rapazes da mesa contou que se viu no meio do Bloco O Sargento Pimenta que homenageou a banda The Beatles neste Carnaval e tocou as músicas da banda em ritmo de folia.

Abre aspas, “Que merda! Que me perdoem os amantes de Beatles.”, fecha aspas.

O rapaz, candidato a folião, parece que também não curtiu muito.

O outro contou que em Cabo Frio beijou muitas bocas. Pela conta dele, que não me atreverei a afirmar que seja confiável, uma vez que ele mesmo confidenciou que seu estado etílico foi de quase coma durante toda a festa, foram mais de 50.

Tratando-se de 5 dias de folia, 50 bocas beijadas, chegamos a uma média de 10 bocas por dia. Para os padrões de devassidão dos dias de hoje, a média do caboclinho foi bem modesta.

[Isso me faz lembrar um amigo que, no ápice da sua nerdice, invadiu a máquina de uma colega de trabalho e resgatou do limbo tecnológico um arquivo já deletado e excluído da lixeira com o título "Bocas que beijei". Era a lista de homens (ou não) que uma moça fez com os nomes dos proprietários de todas as bocas que ela já havia beijado até então, entre outras informações, como a classificação do beijo e ranking. Fico imaginando uma lista de "Bráulios que tracei ". Mente imunda a minha.]

Mas o terceiro rapazola à mesa soltou a pérola do Carnaval. Narrou que foi na companhia de um amigo para a Lapa e chegando lá avistaram uma boate com a aparência de lugar bem freqüentado. O amigo insistiu para que entrassem, mesmo sem conhecer previamente o local. Constataram que o lugar era muito escuro, muito mais que os padrões de boate normais e que tinham muitos homens. Mas o amigo foi enfático, afirmando que mais para o fundo do recinto iriam encontrar as “gatas”. Para chegar até o tal fundo do local tinham que passar para uma espécie de corredor completamente no breu, iluminado apenas por pequeníssimos pontos de luz no chão como forma de guia.

Ao passarem pelo tal corredor começaram a sentir estranhas sensações táteis.

Puxões de cabelo, beliscões, apertões, apalpações…

Já sacou onde eles estavam?

Touché!

Numa boate gay e no meio de um corredor polonês da lascívia alheia.

Esse relato pra mim foi a cereja do bolo do meu almoço. A minha pressa acabou e cheguei atrasada na manicure, mas tudo bem. Só não podia perder essa história.

SFA pro boyzinho. Se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve (Alice in Wonderland).

εϊз Farfalla bacio

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Piri, Piriguete

Piriguete 1 e 2 comentando da noite anterior.

Piriguete 1 - “Tu viu o cara que tava me dano mole?”

Piriguete 2 - “Qual, o Meriva?”

Piriguete 1 - “Não, pô. O Corolla. Tu acha que eu vou dar condição pra Meriva? Fala sério! Comigo é só importado.”

Quem é TU?

O que isso significa?

No meu entendimento, tu é o pronome pessoal da 2ª pessoa do singular.

Então deveria ser assim: “Tu viste” e “Tu achas”.

E dano, no diálogo apresentado, não é sinônimo de prejuízo, mas o verbo dar no gerúndio, dando. Só estava faltando o N. Bobagem!

E para coroar, os rapazes ou caras mencionados foram substituídos pelas marcas dos veículos.

SFA para você que está a pé, porque para “pegar” mulher (leia-se piriguete) o jeito é ter um automóvel. Porque carro é nacional, mas automóvel que se preze é importado.

Piriguete exigente, hein?

εϊз Farfalla bacio

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Entre uma e outras

Inaugurando a série “SFA Curtas”.

Dois cidadoas A e B conversando.

A - “Se eu estivesse sozinho com a Roberta e não com você, não teria feito esse contato imediato do 2ª grau.

B - “2º não, 1º grau mermo.”

A e B - “Risadas”

A - “ gostosa, né?”

B - “Ô! Morre fácil.” “Ih, ela tá voltano.

Eis que vem a criatura “gostosa” segundo o cidadão A.

Gostosa? Porrr…  Baita bagulho! Ruim de tudo. Indo e vindo.

Canjica podre, boca de caçapa, peito tomando sopa, barriga de bóia… Tá bom de desgraça.

A - “Voltou princesa?”

A Gostosa - “Pô, nem, to sem clédito. Posso te ligar a cobrar?”

Nem???

Acelerei o passo para nem ouvir mais nada.

SFA completamente politicamente incorreto, porque encontrar gente feia devia ser proibido por lei. Além de assassina da Língua Portuguesa. Pode ser contagioso, insalubre e causar danos irreparáveis.

εϊз Farfalla bacio

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Bicha má

Há muito tempo que o mundo é gay. Os héteros  que não perceberam isso. Mas como agora o conceito gay (flamejante ou não) está mais evidente percebemos mais os acontecimentos em torno deste universo alegre.

Em tempo: Quero deixar claro aqui neste post que não tenho nenhum preconceito, não sou homofóbica e nem julgo a orientação sexual de ninguém. Meu relato é meramente para divertir.

Um dia no elevador em que eu já estava, adentrou um grupo mista de mulheres e homens conversando empolgadamente. Uma delas, a mais animada e falante de todas introduz o título do relato que viria em seguida.

- “Ah! Tenho um bafo para contar!” - atirou ela em tom de suspense e comédia.

- “Lembram do Marcos que eu andei saindo? Aquele que eu pegava depois que me separei.” - explicou ela.

Todos lembraram e uma das moças ainda acrescentou.

- “Claaaaaaaaaaro! Aquele deus grego!”

- “Então…”, continuou ela, “… outro dia o Wagner, aquele meu amigo trincha, me ligou.”

Diálogo entre “amigas” ao telefone.

- “Amiga, tenho um babado bafônico pra te contar.” - disse Wagner.

- “Lembra daquele bofe que você namorou?” - perguntou ele.

- “Qual deles?” - indagou ela.

- “O mais lindo, o Marcos.” - ele respondeu.

- “Ah sim, claro!” - ela exclamou.

- “Peguei!” - disparou ele à queima roupa.

Silêncio no elevador por um milésimo de segundo e em seguida explosão de gargalhadas.

Eu que estava ali, não pude deixar de ouvir, mas segurei o riso colocando a mão na boca e respirando fundo para não dar na pinta.

Mas a protagonista da história não deixou passar e me entregou. - “Pode rir. É engraçado mesmo.”

Eu diria que é uma derrota. Saber que seu ex affair (ou nem tão ex assim) saiu com seu amigo gay, e que o viadinho ainda tem a cara de pau de te ligar pra contar.

Fim de feira.

Tenho que ser solidária à causa. Ser trocada por outra mulher é ruim. Se ela for mais bonita que você, é ainda pior, mas racionalmente aceitável.

Agora ser trocada por um homem é degradante.

SFA para moça, coitada, que não soube detectar que o peguete era um simpatizante.

Dicionário Da Língua Portuguesa

Bafo: ar exalado dos pulmões; hálito; sopro suave;

Dicionário Arco-Íris

Bafo: babados, boatos, fofocas e também as novidades mais divertidas;

Bofe: homem, macho, rapaz;

Dicionário Popular

Trincha: bicha em excesso, gay flamejante;

PS.: Os nomes dos personagens usados nessa história são meramente ilustrativos. Não para resguardar sua identidade, mas porque não me recordo mesmo.

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Estabanada Borralheira

Sapato alto de salto e bico fino é um luxo, mas para andar no Centro do Rio, nas calçadas com as malditas pedrinhas portuguesas, não funciona.

Andar de salto alto é uma arte, que nem todas as mulheres dominam e na maioria das vezes parecem patas remando.

Mas como já disse um amigo meu “o caminhar feminino na ponta dos pés é pura sedução”.

  • Eu não resisto a uma mulher com salto alto, andando na pontinha dos pés…, descreve ele com entusiasmo.

Então, como legítima representante das mulheres que sofrem de dor, mas andam na pontinha dos pés mantendo a pose e a elegância, lá estava eu, desfilando pela malévola calçada de pedrinhas, tentando me equilibrar a cada passo. Mas como eu tenho um jeitinho encantadoramente estabanado, essa acrobacia não podia dar em coisa boa.

Então, num acaso do destino ou numa puta falta de sorte mesmo, meu salto fino ficou preso entre as pedrinhas.

E eu puxava o pé que não vinha, ligeiramente inclinada pra frente na tentativa de soltar o sapato. Só pensava no quanto ele tinha sido caro e em como o salto já estaria todo massacrado por aquele estrupro pétreo.

E quando o salto finalmente se soltou e soltou-se também o sapato do meu pé, que foi arremessado para frente e caiu a metros de distância de mim.

Num pé só, descalça do outro pé, feito saci fui pulando ao encontro do meu sapatinho que não era de cristal e sem nenhum príncipe por perto.

O máximo que encontrei foi um molequinho que pegou o sapato e disse: “É seu, tia?”

Deu vontade de responder: “Tia é a sua vó!”

Mas isso é algo impossível na árvore genealógica e me detive a responder: “Sim, é meu. Obrigada!”

Ele se abaixou e ainda me ajudou a calçar o sapato. Quase um lord.

Para quem não tinha príncipe, o plebeu serviu.

εϊз Farfalla bacio

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Inveja má

Hoje acordei cedo porque tinha aula às 8h (Ninguém merece!), mas a essa hora eu ainda não estou funcionando. Nem adianta me dar bom dia. Bom pra mim só a partir das 11h e na praia com brisa fresca e água de coco gelada. Com esse calor, cheia de roupa, maquiada e de salto alto, nada é bom.

E tenho que caminhar alguns minutinhos de casa até a civilização. Nesse caminho sempre é possível ver algumas coisas interessantes para postar. Hoje de manhã foi um desses dias.

Vinha caminhando pela calçada e avistei bem mais à frente duas mulheres com seus respectivos rebentos. Como elas caminhavam a passos lentos e errantes por conta do caminhar bambaleante dos pimpolhos, me aproximei delas com certa rapidez.

Notei que eram as “nems” da Comunidade próxima.

[Agora, chamar morador de comunidade de favelado é sinal de preconceito. Tem que ter cuidado com o que se fala]

Uma delas era pequena, magrinha mas tinha uma leve saliência abdominal, típica das pós-gestantes que largaram a barriga solta nas calças Saint-Tropubis.

A outra… PQP.

Pernas torneadíssimas com a musculatura bem malhada. Panturrilhas perfeitas e proporcionais às coxas. Braços torneados com cada músculo devidamente trabalhado. Barriga negativa e em gominhos de tanquinho. À primeira vista pensei que fosse uma rata de academia, mas olhando melhor percebi que todo aquele corpo malhado tinha pinta de ter sido conquistado as custas de subir e descer morro, carregar filhos, sacolas, latas de água nos braços.

E eu me mato de fome fazendo dieta, me maltrato no Pilates, apanho na massagem modeladora e ainda empobreço para pagar tudo isso.

εϊз Farfalla bacio

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Assombração retirante

 

Todo mundo tem na vida uma criatura com a qual não vai com a cara.

Sempre tem uma pessoa que não lhe causa empatia, o santo não bate.

Nem precisa conhecê-la ou mesmo que ela tenha lhe feito alguma coisa. É assim: olhou e não gostou.

Se formos procurar o fundamento desta antipatia gratuita podemos descobrir assuntos pendentes de vidas passadas e coisas do gênero. Mas isso representa muita profundidade para o nosso SFA.

 

Eu sou ligeiramente antipática, meio sebosinha mesmo, daquela que olha alguém, não gosta e fim, não cumprimento nem chego perto.

Pode me chamar do que quiser, pra mim é questão de higiene.

Mas quanto mais eu rezo, mais assombração aparece. E essa assombração estava bem viva.

 

Lá vai uma nova história.

Semanalmente faço as unhas num salão próximo ao meu trabalho, sempre nos mesmos dias e horários e com as mesmas profissionais. Mas esta semana não foi bem assim.

A manicure não tinha horário disponível e a pedicure também estava com a agenda cheia. Essa ainda consegui em outro dia, mas num horário estranho, mas era o que dava. Então marquei a pedicure e uma outra manicure que tinha disponível no mesmo horário.

Se tem uma coisa que eu não gosto é esperar, mas como cheguei antes da hora tive que esperar um pouco. Saquei uma revista de fofocas do mafuá de revistas e fui folhear.

Folhear sim, porque não dá pra ler aquilo. O script de um folhetim de fofocas é sempre o mesmo: Profissão, Nome + Sobrenome, Idade. O resto do texto são futilidades. E quando a entrevistada não tem profissão, chamam de modelo. Sacanagem com as modelos profissionais. Mas enfim…

 

Chegou minha vez e a “nicure” me chamou. Ao atravessar a sala, uma certa mulher me seguiu com o olhar. Aquele olhar curioso de varredura.

Cara bolachuda de retirante, zarolha e metida a sexóloga.

Sentada, tendo as patas traseiras sendo cuidadas, tinha uma sacola de coisinhas coloridas sendo curiosamente inspecionadas pela meninas, que cheiravam dentro da sacola e davam risinhos nervosos.

Se aquilo não era um bagulhinho que estava deixando a mulherada doidona, devia ser qualquer coisa de apelo erótico.

Lógico… Eram calcinhas fio dental coloridas e perfumadas. Deviam ser calcinhas hediondas e ainda por cima com perfume. Fala sério!

Vai ver tinham cheiro de motel de 5ª ou então cheirinho da loló

A tal criatura, de longe, me ofereceu pra ver, mas eu antipaticamente recusei.

Depois ela ficou exibindo um envelope rosa com adesivo de coração dizendo que era um tributo ao amor e que ia entregá-lo ao seu pretendente.

Observação 1: Que merda é essa de envelopinho rosa, adesivo de coração, papel de carta enfeitadinho?

Isso foi coisa de adolescente dos anos 80 e ela, pela cara de maracujá, deve ter passado a adolescência nos Anos Dourados, mas pra ela Anos Folheados a Ouro já é lucro.

Observação 2: Que fique claro que a palavra tributo foi aplicada por mim para ficar elegante. Ela disse qualquer outra coisa oriunda do seu parco vocabulário.

Observação 3: Coitado do eleito a pretendente. Ou pecou demais e agora precisa se purificar praticando caridade ou é uma alma sem chance de recuperação mesmo.

 

Depois do pé pronto a dita cuja anunciou que ia embora.

Levantou-se, olhou direto para mim e soltou o petardo: “Você é a mulher do Nelson, né?”

Gelei num misto de ciúme e indignação. “Como é que essa siriema conhece o meu marido?”

Respondi com um “Sim!” muito do nojento.

Ela, em cócegas, ficou se remexendo para que eu perguntasse de onde me conhecia ou de onde conhecia ele, mas não dei esse gostinho àquela garça vesga.

Mas ela não desistiu e mandou mais uma: “Já te vi várias vezes.”

Eu levantei os olhos e a fitei com desdém, mas por dentro queria afogá-la num pote de acetona. Também não parava de pensar de onde ela poderia me conhecer. Não conseguia me lembrar de onde eu tinha a sensação de já tê-la visto e nunca ter gostado dequele focinho.

Mas gente chata e inervante não desiste. Ela conclui: “Lá de Anchieta.”

 

“Ah, sim. Claro!” - respondi concordando, articulando os lábios num sorriso verde musgo porque amarelo lembra dourado e dourado é muito precioso.

Mas ainda não me lembrava dela.

Por fim ela foi embora, com cara de cu sujo, porque não dei a mínima pro veneno dela.

E num estalo me lembrei da criatura. Ela costuma frequentar o mesmo centro umbandista onde o meu marido trabalha. E lá, apesar de ser uma casa séria de trabalhos espirituais e caridade, tem gente que acha que vai arrumar marido ou macho. Ela e mais umas duas vagaranhas que tem lá não podem ver o Nelson que começam a aloprar e soltam as penas para chamar a atenção dele.

Realmente nunca gostei das cornebas dela desde a primeira vez que a vi. Mas enfim, assombração é assim mesmo, te acha quando você menos espera.

 

SFA gigante pra mim que sou ciumenta e tenho um marido bonito demais que chama atenção desde de criancinha de colo até velhinhas de bengala.

Imagina a cobiça que gera!

E SFA para a siriema zarolha que não conseguiu me ver insana de ciúme. Eu não ia pagar esse mico “merrrmo”. Mas que deu vontade de arremessar ela pela janela… Ah deu!

PS.: Siriema voa?

 

εϊз Farfalla bacio

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Chocosebo

Leitores do SFA tem reclamado que estão saudosos, carentes por novas histórias.

Todos sádicos!

Torcem pela tragédia alheia para rir, e sem culpa.

Por isso, segue mais um historinha.

Na Páscoa deste ano de 2010 (É… Já faz um tempinho.) quis fazer uma graça e resolvi comprar um Ovo de Páscoa  para presentear meu marido.

Acontece que ele não gosta de doce e nem liga muito para chocolate. Diferente de mim, alucinadamente chocólatra.

Então escolhi uma versão Meio Amargo: nem tão doce para pudesse fazê-lo nem provar, nem tão sem açúcar que me fizesse não ter interesse.

Chocólatra como eu é assim: seja um belga ou um Montevérgine, tô dentro.

Resolvi comprar um Mundy Collection da Garoto.

Depois de quase sair no tapa como uma sirigaita na loja, consegui garantir o Ovo e fui pra casa feliz e consegui chegar com ele inteiro. Por que inteiro? Leia o post http://www.sefodeai.com.br/?p=113#content

Dia de Páscoa chegou… êêêêêê!!! Hora de comer CHOCOLATE!

Eu sou tão fissurada que só de falar começo a salivar.

Como eu já sabia que meu marido daria pouca importância ao coitado do ovo, eu que sou uma pessoa muito caridosa, fiz a boa ação de começar a comê-lo.

Mmmmmm! Hummmm! Ops! Argh!

Parou, parou, parou.

Que gosto de sebo.

Gosto de vaselina doce. Horrível!

A dona encrenca aqui resolveu exercer seu direito de consumidora e ligou pra o SAC da Garoto.

E por falar em SAC, esses atendentes de telemarketing devem ter seu próprio jargão para esta abreviatura: Sabe Aquele Chato…

 

Liguei pra lá e me atende uma pessoa ligeiramente fanha.

Expliquei que comprei um ovo, blá, blá, blá, mas a criatura acho que não entendia que eu queria reclamar do produto e foi me pedindo endereço, telefone, cpf, data de nascimento, manequim… Putz!

E eu tentava falar e ela me interrompia.

- “Mãns a senhôha comeu o obo todo.”

- “Ãnh, só comeu um pehdaciñho.”

-“Embhulha o que sobhou do obo que bhamos hecolhehr e lhe enbiahr outho.”

Ok! Obrigada!

Já doida pra me livrar daquela fanha.

Muuuitos dias depois, chega o ovo. Um embrulho meio pequeno para um ovo grande como era. Imaginei que tivessem enviado um pacote daqueles bombons que são a melhor parte do ovo. Fiquei toda alegrinha e já pensando em saborear aqueles cubinhos de delícia, já fui subindo o elevador e salivando.

Mal adentrei a sala e já detonando o embrulho. Mas parecia muito compacto e com uma anatomia meio estranha para um pacote de bombons ou mesmo um ovo de Páscoa.

Quando finalmente transpus as camadas de papel, plástico e alumínio tive uma surpresa.

Era sim um ovo de Páscoa de chocolate, mas estava todo amassado e retorcido e mais parecia uma beringela disfarçada de surfista prateado.

Visão hedionda, mas chocolste é chocolate e já que não pedi nada e a Garoto que se propos a enviar outro ovo, “vamu cair de boca (aberta)”.

 

Tcham tcham tcham tcham!

O mesmo sebo doce e ainda piorado pela dificuldade de tirar um pedacinho de uma massa compactada. Pra piorar, porque o que está ruim pode e vai ficar pior, mordi um nanopedaço de papel alumínio, tamanho suficiente para dar aquela sensação de choque. Ou seja, além do desprazer do sabor nem causou aquela sensação boa da dopamina.

 

E a beringela prateada ficou esquecida na geladeira até eu fazer um bolo de cenoura e tentar usar aquilo como cobertura, pra ver se dava um destino mais nobre ao pobre coitado. Mas nem assim. O bolo estava tão bom, mas o marvado conseguiu sacanear minha pretensa cobertura meio amarga com toque de rum. Ficou uma boa bosta.

 

SFA para mim, chocólatra confesso, que não devia acreditar em nada que tem nomes muito coloquiais como Garoto, Garotinho etc.

 

εϊз Farfalla bacio

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