Bicha má

Há muito tempo que o mundo é gay. Os héteros  que não perceberam isso. Mas como agora o conceito gay (flamejante ou não) está mais evidente percebemos mais os acontecimentos em torno deste universo alegre.

Em tempo: Quero deixar claro aqui neste post que não tenho nenhum preconceito, não sou homofóbica e nem julgo a orientação sexual de ninguém. Meu relato é meramente para divertir.

Um dia no elevador em que eu já estava, adentrou um grupo mista de mulheres e homens conversando empolgadamente. Uma delas, a mais animada e falante de todas introduz o título do relato que viria em seguida.

- “Ah! Tenho um bafo para contar!” - atirou ela em tom de suspense e comédia.

- “Lembram do Marcos que eu andei saindo? Aquele que eu pegava depois que me separei.” - explicou ela.

Todos lembraram e uma das moças ainda acrescentou.

- “Claaaaaaaaaaro! Aquele deus grego!”

- “Então…”, continuou ela, “… outro dia o Wagner, aquele meu amigo trincha, me ligou.”

Diálogo entre “amigas” ao telefone.

- “Amiga, tenho um babado bafônico pra te contar.” - disse Wagner.

- “Lembra daquele bofe que você namorou?” - perguntou ele.

- “Qual deles?” - indagou ela.

- “O mais lindo, o Marcos.” - ele respondeu.

- “Ah sim, claro!” - ela exclamou.

- “Peguei!” - disparou ele à queima roupa.

Silêncio no elevador por um milésimo de segundo e em seguida explosão de gargalhadas.

Eu que estava ali, não pude deixar de ouvir, mas segurei o riso colocando a mão na boca e respirando fundo para não dar na pinta.

Mas a protagonista da história não deixou passar e me entregou. - “Pode rir. É engraçado mesmo.”

Eu diria que é uma derrota. Saber que seu ex affair (ou nem tão ex assim) saiu com seu amigo gay, e que o viadinho ainda tem a cara de pau de te ligar pra contar.

Fim de feira.

Tenho que ser solidária à causa. Ser trocada por outra mulher é ruim. Se ela for mais bonita que você, é ainda pior, mas racionalmente aceitável.

Agora ser trocada por um homem é degradante.

SFA para moça, coitada, que não soube detectar que o peguete era um simpatizante.

Dicionário Da Língua Portuguesa

Bafo: ar exalado dos pulmões; hálito; sopro suave;

Dicionário Arco-Íris

Bafo: babados, boatos, fofocas e também as novidades mais divertidas;

Bofe: homem, macho, rapaz;

Dicionário Popular

Trincha: bicha em excesso, gay flamejante;

PS.: Os nomes dos personagens usados nessa história são meramente ilustrativos. Não para resguardar sua identidade, mas porque não me recordo mesmo.

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Estabanada Borralheira

Sapato alto de salto e bico fino é um luxo, mas para andar no Centro do Rio, nas calçadas com as malditas pedrinhas portuguesas, não funciona.

Andar de salto alto é uma arte, que nem todas as mulheres dominam e na maioria das vezes parecem patas remando.

Mas como já disse um amigo meu “o caminhar feminino na ponta dos pés é pura sedução”.

  • Eu não resisto a uma mulher com salto alto, andando na pontinha dos pés…, descreve ele com entusiasmo.

Então, como legítima representante das mulheres que sofrem de dor, mas andam na pontinha dos pés mantendo a pose e a elegância, lá estava eu, desfilando pela malévola calçada de pedrinhas, tentando me equilibrar a cada passo. Mas como eu tenho um jeitinho encantadoramente estabanado, essa acrobacia não podia dar em coisa boa.

Então, num acaso do destino ou numa puta falta de sorte mesmo, meu salto fino ficou preso entre as pedrinhas.

E eu puxava o pé que não vinha, ligeiramente inclinada pra frente na tentativa de soltar o sapato. Só pensava no quanto ele tinha sido caro e em como o salto já estaria todo massacrado por aquele estrupro pétreo.

E quando o salto finalmente se soltou e soltou-se também o sapato do meu pé, que foi arremessado para frente e caiu a metros de distância de mim.

Num pé só, descalça do outro pé, feito saci fui pulando ao encontro do meu sapatinho que não era de cristal e sem nenhum príncipe por perto.

O máximo que encontrei foi um molequinho que pegou o sapato e disse: “É seu, tia?”

Deu vontade de responder: “Tia é a sua vó!”

Mas isso é algo impossível na árvore genealógica e me detive a responder: “Sim, é meu. Obrigada!”

Ele se abaixou e ainda me ajudou a calçar o sapato. Quase um lord.

Para quem não tinha príncipe, o plebeu serviu.

εϊз Farfalla bacio

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Inveja má

Hoje acordei cedo porque tinha aula às 8h (Ninguém merece!), mas a essa hora eu ainda não estou funcionando. Nem adianta me dar bom dia. Bom pra mim só a partir das 11h e na praia com brisa fresca e água de coco gelada. Com esse calor, cheia de roupa, maquiada e de salto alto, nada é bom.

E tenho que caminhar alguns minutinhos de casa até a civilização. Nesse caminho sempre é possível ver algumas coisas interessantes para postar. Hoje de manhã foi um desses dias.

Vinha caminhando pela calçada e avistei bem mais à frente duas mulheres com seus respectivos rebentos. Como elas caminhavam a passos lentos e errantes por conta do caminhar bambaleante dos pimpolhos, me aproximei delas com certa rapidez.

Notei que eram as “nems” da Comunidade próxima.

[Agora, chamar morador de comunidade de favelado é sinal de preconceito. Tem que ter cuidado com o que se fala]

Uma delas era pequena, magrinha mas tinha uma leve saliência abdominal, típica das pós-gestantes que largaram a barriga solta nas calças Saint-Tropubis.

A outra… PQP.

Pernas torneadíssimas com a musculatura bem malhada. Panturrilhas perfeitas e proporcionais às coxas. Braços torneados com cada músculo devidamente trabalhado. Barriga negativa e em gominhos de tanquinho. À primeira vista pensei que fosse uma rata de academia, mas olhando melhor percebi que todo aquele corpo malhado tinha pinta de ter sido conquistado as custas de subir e descer morro, carregar filhos, sacolas, latas de água nos braços.

E eu me mato de fome fazendo dieta, me maltrato no Pilates, apanho na massagem modeladora e ainda empobreço para pagar tudo isso.

εϊз Farfalla bacio

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Assombração retirante

 

Todo mundo tem na vida uma criatura com a qual não vai com a cara.

Sempre tem uma pessoa que não lhe causa empatia, o santo não bate.

Nem precisa conhecê-la ou mesmo que ela tenha lhe feito alguma coisa. É assim: olhou e não gostou.

Se formos procurar o fundamento desta antipatia gratuita podemos descobrir assuntos pendentes de vidas passadas e coisas do gênero. Mas isso representa muita profundidade para o nosso SFA.

 

Eu sou ligeiramente antipática, meio sebosinha mesmo, daquela que olha alguém, não gosta e fim, não cumprimento nem chego perto.

Pode me chamar do que quiser, pra mim é questão de higiene.

Mas quanto mais eu rezo, mais assombração aparece. E essa assombração estava bem viva.

 

Lá vai uma nova história.

Semanalmente faço as unhas num salão próximo ao meu trabalho, sempre nos mesmos dias e horários e com as mesmas profissionais. Mas esta semana não foi bem assim.

A manicure não tinha horário disponível e a pedicure também estava com a agenda cheia. Essa ainda consegui em outro dia, mas num horário estranho, mas era o que dava. Então marquei a pedicure e uma outra manicure que tinha disponível no mesmo horário.

Se tem uma coisa que eu não gosto é esperar, mas como cheguei antes da hora tive que esperar um pouco. Saquei uma revista de fofocas do mafuá de revistas e fui folhear.

Folhear sim, porque não dá pra ler aquilo. O script de um folhetim de fofocas é sempre o mesmo: Profissão, Nome + Sobrenome, Idade. O resto do texto são futilidades. E quando a entrevistada não tem profissão, chamam de modelo. Sacanagem com as modelos profissionais. Mas enfim…

 

Chegou minha vez e a “nicure” me chamou. Ao atravessar a sala, uma certa mulher me seguiu com o olhar. Aquele olhar curioso de varredura.

Cara bolachuda de retirante, zarolha e metida a sexóloga.

Sentada, tendo as patas traseiras sendo cuidadas, tinha uma sacola de coisinhas coloridas sendo curiosamente inspecionadas pela meninas, que cheiravam dentro da sacola e davam risinhos nervosos.

Se aquilo não era um bagulhinho que estava deixando a mulherada doidona, devia ser qualquer coisa de apelo erótico.

Lógico… Eram calcinhas fio dental coloridas e perfumadas. Deviam ser calcinhas hediondas e ainda por cima com perfume. Fala sério!

Vai ver tinham cheiro de motel de 5ª ou então cheirinho da loló

A tal criatura, de longe, me ofereceu pra ver, mas eu antipaticamente recusei.

Depois ela ficou exibindo um envelope rosa com adesivo de coração dizendo que era um tributo ao amor e que ia entregá-lo ao seu pretendente.

Observação 1: Que merda é essa de envelopinho rosa, adesivo de coração, papel de carta enfeitadinho?

Isso foi coisa de adolescente dos anos 80 e ela, pela cara de maracujá, deve ter passado a adolescência nos Anos Dourados, mas pra ela Anos Folheados a Ouro já é lucro.

Observação 2: Que fique claro que a palavra tributo foi aplicada por mim para ficar elegante. Ela disse qualquer outra coisa oriunda do seu parco vocabulário.

Observação 3: Coitado do eleito a pretendente. Ou pecou demais e agora precisa se purificar praticando caridade ou é uma alma sem chance de recuperação mesmo.

 

Depois do pé pronto a dita cuja anunciou que ia embora.

Levantou-se, olhou direto para mim e soltou o petardo: “Você é a mulher do Nelson, né?”

Gelei num misto de ciúme e indignação. “Como é que essa siriema conhece o meu marido?”

Respondi com um “Sim!” muito do nojento.

Ela, em cócegas, ficou se remexendo para que eu perguntasse de onde me conhecia ou de onde conhecia ele, mas não dei esse gostinho àquela garça vesga.

Mas ela não desistiu e mandou mais uma: “Já te vi várias vezes.”

Eu levantei os olhos e a fitei com desdém, mas por dentro queria afogá-la num pote de acetona. Também não parava de pensar de onde ela poderia me conhecer. Não conseguia me lembrar de onde eu tinha a sensação de já tê-la visto e nunca ter gostado dequele focinho.

Mas gente chata e inervante não desiste. Ela conclui: “Lá de Anchieta.”

 

“Ah, sim. Claro!” - respondi concordando, articulando os lábios num sorriso verde musgo porque amarelo lembra dourado e dourado é muito precioso.

Mas ainda não me lembrava dela.

Por fim ela foi embora, com cara de cu sujo, porque não dei a mínima pro veneno dela.

E num estalo me lembrei da criatura. Ela costuma frequentar o mesmo centro umbandista onde o meu marido trabalha. E lá, apesar de ser uma casa séria de trabalhos espirituais e caridade, tem gente que acha que vai arrumar marido ou macho. Ela e mais umas duas vagaranhas que tem lá não podem ver o Nelson que começam a aloprar e soltam as penas para chamar a atenção dele.

Realmente nunca gostei das cornebas dela desde a primeira vez que a vi. Mas enfim, assombração é assim mesmo, te acha quando você menos espera.

 

SFA gigante pra mim que sou ciumenta e tenho um marido bonito demais que chama atenção desde de criancinha de colo até velhinhas de bengala.

Imagina a cobiça que gera!

E SFA para a siriema zarolha que não conseguiu me ver insana de ciúme. Eu não ia pagar esse mico “merrrmo”. Mas que deu vontade de arremessar ela pela janela… Ah deu!

PS.: Siriema voa?

 

εϊз Farfalla bacio

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Chocosebo

Leitores do SFA tem reclamado que estão saudosos, carentes por novas histórias.

Todos sádicos!

Torcem pela tragédia alheia para rir, e sem culpa.

Por isso, segue mais um historinha.

Na Páscoa deste ano de 2010 (É… Já faz um tempinho.) quis fazer uma graça e resolvi comprar um Ovo de Páscoa  para presentear meu marido.

Acontece que ele não gosta de doce e nem liga muito para chocolate. Diferente de mim, alucinadamente chocólatra.

Então escolhi uma versão Meio Amargo: nem tão doce para pudesse fazê-lo nem provar, nem tão sem açúcar que me fizesse não ter interesse.

Chocólatra como eu é assim: seja um belga ou um Montevérgine, tô dentro.

Resolvi comprar um Mundy Collection da Garoto.

Depois de quase sair no tapa como uma sirigaita na loja, consegui garantir o Ovo e fui pra casa feliz e consegui chegar com ele inteiro. Por que inteiro? Leia o post http://www.sefodeai.com.br/?p=113#content

Dia de Páscoa chegou… êêêêêê!!! Hora de comer CHOCOLATE!

Eu sou tão fissurada que só de falar começo a salivar.

Como eu já sabia que meu marido daria pouca importância ao coitado do ovo, eu que sou uma pessoa muito caridosa, fiz a boa ação de começar a comê-lo.

Mmmmmm! Hummmm! Ops! Argh!

Parou, parou, parou.

Que gosto de sebo.

Gosto de vaselina doce. Horrível!

A dona encrenca aqui resolveu exercer seu direito de consumidora e ligou pra o SAC da Garoto.

E por falar em SAC, esses atendentes de telemarketing devem ter seu próprio jargão para esta abreviatura: Sabe Aquele Chato…

 

Liguei pra lá e me atende uma pessoa ligeiramente fanha.

Expliquei que comprei um ovo, blá, blá, blá, mas a criatura acho que não entendia que eu queria reclamar do produto e foi me pedindo endereço, telefone, cpf, data de nascimento, manequim… Putz!

E eu tentava falar e ela me interrompia.

- “Mãns a senhôha comeu o obo todo.”

- “Ãnh, só comeu um pehdaciñho.”

-“Embhulha o que sobhou do obo que bhamos hecolhehr e lhe enbiahr outho.”

Ok! Obrigada!

Já doida pra me livrar daquela fanha.

Muuuitos dias depois, chega o ovo. Um embrulho meio pequeno para um ovo grande como era. Imaginei que tivessem enviado um pacote daqueles bombons que são a melhor parte do ovo. Fiquei toda alegrinha e já pensando em saborear aqueles cubinhos de delícia, já fui subindo o elevador e salivando.

Mal adentrei a sala e já detonando o embrulho. Mas parecia muito compacto e com uma anatomia meio estranha para um pacote de bombons ou mesmo um ovo de Páscoa.

Quando finalmente transpus as camadas de papel, plástico e alumínio tive uma surpresa.

Era sim um ovo de Páscoa de chocolate, mas estava todo amassado e retorcido e mais parecia uma beringela disfarçada de surfista prateado.

Visão hedionda, mas chocolste é chocolate e já que não pedi nada e a Garoto que se propos a enviar outro ovo, “vamu cair de boca (aberta)”.

 

Tcham tcham tcham tcham!

O mesmo sebo doce e ainda piorado pela dificuldade de tirar um pedacinho de uma massa compactada. Pra piorar, porque o que está ruim pode e vai ficar pior, mordi um nanopedaço de papel alumínio, tamanho suficiente para dar aquela sensação de choque. Ou seja, além do desprazer do sabor nem causou aquela sensação boa da dopamina.

 

E a beringela prateada ficou esquecida na geladeira até eu fazer um bolo de cenoura e tentar usar aquilo como cobertura, pra ver se dava um destino mais nobre ao pobre coitado. Mas nem assim. O bolo estava tão bom, mas o marvado conseguiu sacanear minha pretensa cobertura meio amarga com toque de rum. Ficou uma boa bosta.

 

SFA para mim, chocólatra confesso, que não devia acreditar em nada que tem nomes muito coloquiais como Garoto, Garotinho etc.

 

εϊз Farfalla bacio

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Almoço 0400

Almoço com colegas de trabalho é animado.

Mas para arrebanhar todos é sempre uma tarefa chatinha.

Tem os molengas, os atrasados, os famintos, os pães-duros, os indecisos…

Então, sair para almoçar em grupo pode tornar-se uma tarefa complexa.

Para resolver este problema eu sugiro uma solução simples: cate o número do celular de mais de um integrante do grupo, saia na frente em direção a sugestão de restaurante mais votada e no caminho ligue para o(a) cara pálida e saiba que rumo a gangue irá tomar.

 

 

Chegamos ao restaurante e logo conseguimos uma mesa para 7 pessoas. Bacana!

Todos bem acomodados, fizemos nossos pedidos com certa facilidade. As bebidas foram entregues rapidamente.

Ficamos ali sentados certo tempo brincando com as palavras cruzadas dispostas na mesa como jogo americano. Esse foi nosso grande erro.

Quando nos demos conta já tinham se passado mais de 40 minutos e nada da comida.

Foi quando eu, como sempre “A criadora de caso”, resolvi reclamar da demora para o garçom.

Este me ignorou solenemente e continuou em sua plácida ignorância serviçal.

Como eu não me acomodo, pedi para falar com a gerente.

Fiz novamente a reclamação à ela que me disse que ia verificar.

Mas a coitada estava tão perdida e aflita que nem sabia o que fazer.

Na “boca” da cozinha tinha um aglomerado de garçons pedindo seus pratos, outros entregando seus pedidos e muitos apídeos parados (fazendo cera).

 

E eu, no alto dos meus 100 cm sentada, fiquei observando aquela aglomeração patética de pessoas sem orientação.

 

Volta a gerente com cara de bunda pedindo desculpa para INdesculpável demora [Indesculpável é por minha conta.]. Argumentou que o “sistema” parou e por isso tiveram problemas em fazer o pedido na comanda de papel.

 

Engraçado como tudo que dá problema ou não funciona é culpa do “sistema”. Quero saber quem é este FDP para meter a porrada nele.

E o que eu tenho a ver com o “sistema”? Eu queria comer. Não sabia que o tal “sistema” interferiria tanto no meu almoço.

Fico pensando nos restaurantes “cospe grosso” que só tem um bloquinho de papel de pão e lápis de carvão.

 

A gerente ainda tentando se justiçar disse só iria cobrar 50%.

Se ela pensou que euzinha iria abrir um sorriso de felicidade por ter meu silêncio comprado pela metade, se frustrou.

“É o mínimo que você poderia fazer depois desse atraso.” – eu disse com ênfase no mínimo.

Ela ficou com cara de cachorro cagando.

 

Depois disso a comida veio voando. Estava bem gostosa, mas não sei afirmar se tinha tempero especial. Prefiro pensar que não deu tempo para acrescentar.

 

No final das contas, onde pagaríamos R$ 30 e poucos reais num almoço, pagamos R$ 14,50. Duas pessoas ainda comeram banana split por conta de um filé mignon que era para ser bem passado, mas que veio mugindo para o prato.

 

Até que não foi tão ruim. Ruim mesmo foi o excesso de quase 50 minutos no almoço.

 

SFA para o restaurante que não sabe fazer comida sem o “sistema” e tomou um toco de mais de 100 pratas para compensar sua absoluta incapacidade de lidar com problemas operacionais.

 

 

PS.: Vou sugerir que eles demitam o maldito “sistema” e contratem um capataz para por ordem naquele bando de peões tontos.

 

εϊз Farfalla bacio

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Sogra saci-perereia

Já falamos aqui no SFA sobre cafas (cafajestes), mas a história deste que eu vou contar é bem engraçada. Ainda mais sendo um canastrão, metido a esperto, que vive se metendo em enrascada.

 

Segue a roubada:

 

Cara casado, mas vivia pulando a cerca. Andava um tempo cercando uma nova presa para abate.

Conseguiu, finalmente, marcar com a sujeita.

Acontece que aquela noite era véspera de uma viagem que faria para a casa de praia do casal. Ele sabia que ia ter que acordar cedíssimo para arrumar o carro e seguir viagem, mas não poderia desperdiçar a oportunidade de sair com a mulher que ele estava querendo pegar.

 

Inventou uma desculpa bacana para a esposa e emendou o trabalho direto com a saidinha.

Choppinho com papinho para já começar a preparar a comida e dali direto pro motel.

 

Opa! Motel? Não!

No carro mesmo.

 

E ali foi consumado.

 

No dia seguinte a Família Buscapé monta no carro marmita e parte para o destino praiano.

No meio da viagem, um motorista fez uma barbeiragem e obrigou o Patriarca Cafa Buscapé a dar aquele freiadão. Freiada de arrumação, tropa meio descabelada e atordoada pelo incidente, mas apesar de tudo, a viagem segue bem.

 

De repente ele olha para os pés e vê um sapato de mulher e gela.

Pensou – “Aquela puta esqueceu o sapato aqui dentro do carro. E agora? O que eu vou fazer?”

Salvação: No meio da estrada tinha um laranjal enorme e bem arrumadinho, daqueles de dar gosto de ver e ele, “sabiamente”, chama a atenção do grupo para o laranjal, obrigando todos a olharem para o lado oposto.

Aproveita a deixa, se abaixa mais que depressa, pega o sapato e arremessa pela janela do carro.

Fim do problema.

Feliz, ele segue com a consciência tranquila.

Chegando ao chateau na praia, começa o desmonte dos ocupantes e apetrechos do veículo.

 

Salta o cafa, sua mulher galhuda, o filho, cachorro salsichinha (quase enlatado), caixa com o gato, gaiola com o canário… Mas cadê a sogra?

 

E tá a velha catando alguma coisa no interior do carro. Enquanto isso a tonelada de quinquilharias está sendo descarregada. E nada da velha sair de lá.

Até que o brilhante protagonista desta história pergunta a sua sogra querida:

- “Criatura de Deus! Que tanto você procura que não sai daí de dentro?”

 

E a adorável sogrinha responde, indignada:

- “Culpa desse seu carro maldito. Onde foi parar a porra do meu SAPATO?”

 

SFA para a coitada da sogra que mesmo sem ter culpa nenhuma acabou sem sapato e tendo que imitar o Saci-Pererê.

Inspiração no canguru perneta do genro.

 

εϊз Farfalla bacio

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Anta + Lógico = Antológico

a fim de se vingar daquele desafeto? Manda ele(a) para o SFA.

 

A vingança é um prato que se come frio segundo o dito popular.

Bom, eu não gosto nem de vingança nem de bóia fria.

A vingança não vai lhe levar a nada ou até vai. Um fígado estragado e um coração envenenado.

[Tá bom... Eu sei que esse pensamento é para a raiva, mas caiu bem para a vingança também.]

E fazer mal aos outros não é legal, não gera boas energias e acaba voltando tudo em dobro para você.

Então, pense bem antes de ficar alimentando esses sentimentos pouco nobres.

Faz melhor negócio dar uma sacaneada inteligente, como a seguinte.

 

Conheço uma pessoa marrenta, jeitão soberbo, que tem raros momentos de gentileza (eu nunca presenciei nenhum), barulhenta, paquidérmica, que acha que sabe tudo de tudo, mas que no fundo é uma carroça vazia (Carroça vazia faz muito barulho. É uma metáfora para gente sem conteúdo.), poço de insegurança e medo, um espírito que precisa de luz.

 

Uma criatura abissal dessas não pode ter um nível cultural lá grande coisa.

E se tem uma coisa que me irrita são pessoas que falam e/ou escrevem errado.

Não se trata de preconceito, pois já tive até uma secretária do lar analfabeta. Que por sinal falava muito bem para o nenhum estudo que tinha.

Mas uma pessoa que se diz graduada, que tem pelo menos 15 anos de estudo, no barato, tem que saber escrever e falar bem seu próprio idioma.

 

Não conhece o significado de uma palavra, procura no pai dos burros.

Eu estou bem longe de ser uma pessoa repleta de cultura. Tenho diversas dúvidas cotidianas sobre o nosso idioma, mas realmente acho a Língua Portuguesa muito rica e admiro quem faz bom uso dela. Eu tento.

 

Enviar e-mails corporativos é algo que eu não gosto. Essa mania de disparar spams, copiando dezenas de pessoas, em minha opinião, é irrefutavelmente deselegante, ainda mais para falar tolices.

E mesmo as tolices carecem de acuro na escrita.

 

Entre tantos atropelos linguísticos cometidos por este primor de pessoa, eu parei de me horrorizar e de percebê-los na primeira leitura, em geral desatenta, fruto do descaso e descrédito.

Mas o erro ululante no emprego do adjetivo ou substantivo AFIM tornou-se insumo para o comentário do meu afeto.

Transcrevendo:

“…Uma vez li que antas não andam em bando, mas não dei crédito, pois achei bem improvável e agora me certifiquei que algumas espécies de antas andam e convivem de forma harmônica em bando, ainda mais com um pasto tão fértil como é esse ai…”

 

Auto-explicativo, não é mesmo?

 

É importante saber que:

Afim – adjetivo: semelhante; substantivo: parente por afinidade.

Ex.: Os dois tem pensamentos afins.

A fim de – locução prepositiva, que significa: com a intenção, com o fim.

Ex.: Ele saiu mais cedo do trabalho a fim de evitar o trânsito.

 

Mas o uso afim do a fim da anta foi:

“Se estiver afim, me avisa.”

 

[Não é exatamente esta frase, mas o sentido é o mesmo.]

 

Eu tenho pena da anta (o animal quadrúpede) que não merece ser comparada a este ser néscio.

Dizem que a vingança é doce… Tomara que seja diet.

 

SFA antológico. Notável. De anta, lógico!

 

εϊз Farfalla bacio

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Pimenta coreana não é Ching Ling

Diferentes países possuem diferentes culturas e hábitos ainda mais distintos. Sejam comportamentais, lingüísticos, alimentares etc.

É sempre bom ter alguma noção desses detalhes para não cair em armadilhas.

 

Povos orientais, na minha opinião, são os que tem hábitos mais diferentes dos ditos ocidentais (ou seriam neandertais).

 

A cozinha oriental não é para mim muito palatável, ainda mais por essa mania de comer frutos do mar crus. Também sou meio fraca pra sabores picantes.

 

Acontece que um amigo, recém chegado à Coréia do Sul e não desavisado relatou-me a seguinte experiência:

 

Dias antes de embarcar para Seoul, uma pessoa que já tinha ido pra lá antes lhe deu algumas dicas de como se virar naquele país tão longínquo.

A Coréia do Sul é está a milhas e milhas do Brasil: são 18.153km (Fonte: Geobytes), 12 horas de diferença de fuso horário e um idioma que não tem a menor semelhança sequer com o inglês.

Seguem as dicas de ouro básicas da cultura sul-coreana:

Primeira: X com os dedos quer dizer não;

Segunda: Não ingere-se líquidos durante as refeições;

Terceira: Nem todo molho vermelho é molho de tomate.

 

Apesar dele não ter problemas com alimentação, – come literalmente de tudo – na Coréia comer de tudo é comer arroz, macarrão, algas, vegetais e peixes.

 

Todos os dias havia no almoço um arroz branquinho “unidos venceremos pela vida eterna” e macarrão gelado. No lugar de macarrão leia-se: uma massa esbranquiçada sem sabor ou odor, algo que nem de longe lembra uma suculenta massa ao sugo com manjericão, tipicamente italiana.

Para aquecer o macarrão normalmente utilizava-se água quente ou molho de caldo de peixe.

Cansado daquela monotonia gastronômica um dia resolveu inovar e seguindo a primeira regra de ouro fez o sinal de negação para a atendente. Ela resmungou algo ininteligível, pelo rosnado e pelo idioma.

Ávido por algo mais colorido e saboroso para o seu lauto prato de macarrão optou por cobri-lo com um saborosíssimo molho bem vermelho e suculento.

 

Sentou-se à mesa feliz com seu prato italo-coreano. Certo que sua escolha era acertada e que seu macarrão gelado estaria bem quente com o molho… Salivava.

Já na primeira hachiada (minha etimologia de garfada para o uso do hachi, os pauzinhos japoneses) ele sentiu que a comida estava pelando.

Se há momentos em que a fome é o melhor tempero e o calor é psicológico, aquele era o instante da gula incendiária.

Apesar dos olhos marejados de lágrimas, o suor vertendo em rios e o funga-funga de um nariz lacrimoso ele não largou a comida. E para piorar a situação a água só viria ao final da refeição, vide segunda regra de ouro.

 

Enquanto ele comia, lembrou-se da atendente que balbuciou alguma coisa que ele não foi capaz de compreender e pensou no quanto seria útil saber coreano. Sofrido e com a boca quase doendo de tanto ardor ele chegou a algumas conclusões, as quais você deve adicionar ao seu caderninho, caso pretenda ir à Coréia um dia:

  • Salgado não é picante. Salgado deixa seqüelas: você passa o resto do dia bebendo água feito esponja e mijando feito um chafariz. Já o picante, depois do ápice da ardência, tende a se dissipar.
  • O que entra ardendo, sai ardendo.
  • Comer pimenta é como um vício: apesar dos efeitos colaterais você acaba se acostumando e sentindo falta dela.

 

SFA ardido Made in Korea.

 

εϊз Farfalla bacio

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Burguesinha e as aventuras do blackout

Todo mundo tem uma história triste pra contar do dia do apagão. Dessa vez não tive nenhuma.

Estava em casa, na paz, muito bem acompanhada

 

Mas nem todos tiveram a mesma sorte que eu e acabaram vindo parar aqui no SFA.

 

Quando eu digo que maluco atrai maluco, eu tenho razão. Isso tem fundamento científico. Tem a ver com a energia que emana do nosso campo magnético e os tantans devem vibrar numa freqüência parecida.

Que seja.

 

 

Tenho uma amiga que é uma figura. Ela é divertida, fala pelos cotovelos, ligeiramente perua, mas leva mais jeito de patricinha/arrumadinha. Ela mora longe pra Bangu e tem histórias engraçadíssimas do trem. E depois de um apagão, ela tinha que ter algo tragicômico para contar.

 

Ela sai da pós-graduação já meio tarde e pega o trem na Central.

Olhando para ela ninguém diz que aquela loirinha, mignon, toda arrumadinha, de scarpin altíssimo e com cara de menina burguesinha da Zona Sul, mora em Bangu e é barraqueira.

Pois bem, mal tinha embarcado no Expresso Baixada aconteceu o apagão.

Em plena estação São Cristóvão, todos os passageiros desembarcam e foram, pouco a pouco, esvaziando a plataforma e tomando rumos distintos.

Ela e mais alguns gatos pingados acabaram ficando por ali na esperança do retorno da energia, que não voltou.

Já passava das 1h da madrugada quando os então gatos, a esta altura já bem vira-latas, decidiram tomar um táxi e rachar a corrida até a baixada.

Quem mora mal assim tem que ter algo de bom, neste caso, a solidariedade foi o ponto alto.

 

Seguem até o viaduto para ver o movimento e esbarram com umas “meninas” que faziam “ponto” ali.

Como a união faz a força, as “meninas”, imbuídas do espírito de bondade, ajudaram o grupo a tomar um, já muito escasso, táxi.

Grupo encaminhado ao seu destino, cada um teria que pagar R$ 15,00.

Àquela hora da madrugada, naquele lugar, nas circunstâncias do momento, isso era uma merreca.

Mas pobre é uma merda.

Minha amiga estava catando as moedas para juntar esta quantia ajudada pela luz do celular, ela catava moedas de 5 e 10 centavos para completar a soma total.

 

- “Ufa! R$15,00 e ainda sobrou R$0,15.” - pensou a pobre coitada.

 

Chegou em casa com aquele calor infernal e sem luz. Geladeira sem um fiapo de ar frio. De dentro dela saía um bafo morno. Tinha virado estufa.

Água morna é laxante. Comida estragada é infecção intestinal garantida.  Ficar com sede e fome parecia uma escolha sensata.

 

E começou a busca por um cotoco de vela para, mesmo que bruxuleantemente, iluminar cômodos da casa.

Nada. Nem vela a criatura tinha em casa.

Essa tinha mesmo que se fuder.

 

Terminou a saga tomando banho com uma só mão, de cuia (porque quando falta luz, em seguida, falta água), e com a outra mão segurava o celular para clarear o pouco que dava.

E a cereja do bolo veio com o fim da bateria.

 

Vai SFA assim lá em Bangu!

 

εϊз Farfalla bacio

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