Bad Breath Boy sedutor

Quem conhece academia sabe que à noite o clima é de azaração.

Cada um querendo exibir mais e mais seus corpos sarados, bíceps e tríceps volumosos, glúteos conquistados com muitas flexões 3 apoios e abdômen tanquinho.

As meninas vestem macaquinhos que deixam em evidência cada curva e ausência delas. Coladíssimos, transparentes, decotadérrimos. Não há nenhum ser neste planeta que não olhe.

Captura até a minha atenção.

Mas eu olho com aquela inveja boa: “Nossa! Que corpão! Será que um dia eu fico assim? Haja malhação.”

E continuo na minha queimação de calorias e logo em seguida vou malhar meu pânceps, na certeza de que quero envelhecer com dignidade e que o esforço para emagrecer seja válido. Sendo assim, já fico feliz e deixo as saradonas brilharem soberanas.

 

Eu vou pra academia igual um farrapo. Só uso legging, todas de cores discretas, top e camiseta branca (na altura dos quadris). Amarro um rabo de cavalo mal penteado e tô pronta.

Eu estou ali tão somente para malhar, que pra mim significa suar, se sujar e por isso não tenho necessidade de ir toda empetecada.

 

Mas no vestiário feminino…

Elas trocam de calcinha (de algo que se usa, para um tapa sexo), se enchem de gloss e passam sempre, todas, uma bosta de perfume com cheiro de fruta que eu só falto vomitar.

 

Cada um no seu quadrado.

Eu troco de roupa e vou para a sala de musculação. Entro muda e saio calada. Já não sou sociável, ainda mais ali onde só ouço pessoas com 30 palavras no vocabulário total.

 

Dias desses estou lá com minha ficha de exercícios nas mãos, série recém alterada, por isso ainda não estou totalmente familiarizada com os exercícios e seus nomes. Mas me esforço para segui-los e somente em caso de muita dúvida eu pergunto ao professor. E vou fazendo a minha série na ordem descrita na ficha.

# 4 – Flexão em pé, unilateral, 5 placas, 3 de 15 repetições.

# 5 – Extensão de tronco, 3 de 15 repetições.

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# X – Bíceps Robot, 2 placas, 3 de 15…

# X+1 – Panturrilha horizontal, 40 kg, 3 de 15…

 

Em geral os exercícios são feitos em aparelhos próximos uns dos outros, para facilitar e para não desmotivar a execução.

Bem pensado!

E estou eu, nos meus mini circuitos, malhando meu corpitcho adiposo coberto pelos meus farrapinhos.

Mas neste dia, pra onde olhasse estava uma criatura tangerina por perto.

Tangerina?

É. Aquele cara cheio de gomos. Bíceps e tríceps enormes, dorsais tão grandes que nem o deixava baixar os braços e trapézios que já tinham se tornado parte do pescoço, deixando-o parecido com o Aríate do He-Man.

 

E estava sempre num sorriso maroto.

Tô nem aí.

 

De repente tive dúvidas sobre um exercício e uma enorme interrogação deve ter surgido sobre a minha cabeça e, do nada como mágica, surgiu aquela mistura de Ricky Martin com Wando do meu lado e com voz de vitrola disse:

- “Gata! Precisando de ajuda é só pedir.” – com direito a piscada de olho para pontuar o final da frase.

 

Ui!

Dou um sorriso amarelo pra ele e um “Obrigada!” quase inaudível.

 

Parto para o próximo exercício: panturrilha.

Com mais de 60 kg de cada lado do aparelho, eu tinha que me livrar daqueles pesos. E fui remanejando os pesos a fim de ficar só com 40 kg no total. Numa das últimas anilhas que eu estava retirando, o peso já fazia diferença pra mim e deixei a anilha cair.

Lá vem o cara saltando bancos e driblando aparelhos para “me salvar”.

- “Gata, não pega esse peso todo. Tô aqui para lhe servir.”

 

Pior que isso só o bafo. Cruzes!

Quase morri asfixiada.

Nem o cara mais lindo ia conseguir alguma coisa com alguém com aquela boca de esgoto.

Do que adianta ter corpo de Mr. Universo e quando abre a boca parece que comeu cocô?

 

SFA para o saradão com boca de valão.

 

εϊз Farfalla bacio

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Anão e cagão

Eu e minhas histórias no metrô.

 

Dia desses estava voltando pra casa e ao chegar à plataforma da estação carioca, avistei um mundaréu de gente… Como sempre.

Passou uma composição vazia e levou quase todos que estavam ali aguardando, como eu estava muito atrás dos vorazes passageiros, esperei pela próxima que estivesse acessível.

 

Quatro minutos depois surge outro trem não muito cheio. Isso não quer dizer que estivesse acessível, mas sim que eu seria “conduzida” para dentro no vagão quase sem esforço e ficaria ali empacotada até a estação Estácio.

Tento entrar pelo canto esquerdo da porta, pois estava mais vazio e fácil de chegar até o centro do carro.

Mas no meio do caminho tinha um idiota nanico, parado e fincado ao chão igual um toquinho de amarrar jegue.

Esse idiota não me deixou passar e para piorar anda ficou me empurrando pra fora do vagão.

Voltei à plataforma esbravejando, p… da vida e uma senhora que estava ao meu lado, e presenciou a cena, também concordou comigo e criticou o cocô metido a gente.

Ele, todo seguro de si, se segurou no alto da porta e com o dedo médio fez um gesto obsceno pra mim. Fingi que não vi para me preservar.

Começou a apitar anunciando que as portas iam se fechar quando, de repente, vem correndo das escadas um negão assustadoramente grande e mal encarado.

 

Como eu, ele viu que o lugar de melhor acesso era onde o baixinho estava.

Colocou o pé na ponta o jogou o corpanzil pra dentro empurrando quem estava na frente.

Mas o projeto de gente não se fez de rogado e resistiu à invasão do negão. Esse por sua vez, se armou na posição de jogador de futebol americano. Segurou as mãos, uma com o punho fechado em direção a outra que a segurava, firmou a perna de apoio, flexionando pra lhe dar sustentação e força, e com os ombros, foi em direção ao anão que, no maior cagaço, saiu da frente quase aos pulos.

Pra mim ele bancou o machão, mas para o negão ele virou uma menininha amedrontada.

 

 

SFA para o anão que preferiu ser apertado pelo “Mike Tyson” do que pela “Branca de Neve”. Cada um tem aquilo que merece!

 

εϊз Farfalla bacio

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Buraco ventilado

Viagem a trabalho, para São Paulo, para uma feira de tecnologia é sinônimo de ralação, mas também de fazer coisas diferentes do habitual.

 

Tudo bem se você viajou na terça pela manhã e na segunda ficou trabalhando até as 2h.

Chegando a São Paulo o destino era ir para a empresa e verificar os últimos ajustes para o dia seguinte.

Últimos ajustes???

Mais um dia trabalhando até as 2h e até chegar ao hotel e ir dormir… quase 4 da madruga pra levantar às 6h.

Completamente zumbi, mortificada de sono e cansaço, sabia que teria um dia inteiro para ficar em pé de lá pra cá daqui pra lá e padecer.

Café pequeno. Era apenas o primeiro dia.

 

Montada na roupitcha, calça social preta, blusa branca com o logo da empresa, casaquinho preto para esquentar do frio que estava em Sampa e sapatinho baixo pra conseguir suportar o dia inteiro em pé. Maquiagem elegante para não parecer as promotoras dos estandes e também esconder as olheiras de guaxinim.

 

Tudo bem que estou meio gordinha, mas a minha calça cabe bem e estava ajustava e não apertada. Mas sabe mulher nos dias M do mês?

M sim. M de (na) Merda, Menstruada, Melindrada, Mondronga (Inchada).

 

“De repente, não mais que de repente… Do riso fez-se o pranto…”

 

Sinto um ar geladinho, bommmm, entre as pernas. Discretamente, sentada, passo a mão pra saber do que se tratava (Menstruada, lembra?) e…

SURPRESA! Encontro minha pele.

Hein??????????? Arregalo os olhos e a discrição foi pro k7. Instantaneamente comecei a investigar com os olhos o que havia acontecido e avaliando com as mãos as áreas que os olhos não alcançavam.

Atrás estava tudo em ordem.

Ainda bem! Imagina ficar de bunda de fora no meio de uma feira internacional.

Corro para o banheiro.

Corro não, não dava pra correr, tive que andar meio que em marcha atlética.

No banheiro, avaliei os estragos. Uma abertura descosturada entre as pernas da calça, bem perto da virilha, de aproximadamente 15 cm. Pode medir e ver o tamanho do buraco.

Lembrando que a calça estava ajustada… Uma brecha é o bastante pra abrir uma bocarra.

 

Fui em busca de solução: agulha e linha. Não encontrei nada que pudesse fechar a abertura ventilada. Até que alfinetes de segurança pararam em minhas mãos. Não era o melhor, mas dava pra disfarçar bastante o problema.

Prendo cada lado do pano com o alfinete numa espécie de costura, pontilhando o tecido para ficar bem preso.

Legal! Deu certo.

 

Um cagaço danado daquele alfinete abrir e me furar, mas enfim… Eu não tinha melhor opção.

 

Passei o dia inteiro com cuidado para andar, sentar, me mover, com medo do alfinete abrir ou do tecido ceder. Até chegar de volta ao hotel e me livrar do buraco ventilado estava tensa.

Que bom que foi “só” a calça descosturada. Imagina se fosse um vazamento?!!!

 

SFA. Quase com a bunda de fora mas sem ser com calça de veludo… Menos é mais, neste caso, não cola.

 

εϊз Farfalla bacio

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Aleluia nada divina

Ainda estamos no inverno, mas o calor já está assolando e junto com ele, chegam seus inconvenientes.

Sol é legal, faz bem com moderação e deixa aquele bronzeado lindo de arrasar. Mas o calor na moleira é igualmente arrasador. Ainda não está assim tão quente, mas está com cara de que o verão promete. Pobre de mim que passo mal no calor, devia ter nascido nos polos ao invés dos trópicos.

No caminho para casa, ontem, já não tinha mais sol, mas o calor estava lá, onipresente.

E nas lâmpadas acesas da rua estavam eles: mosquitos de lâmpada. Também conhecidos como cupins alados, siriris ou aleluias. [Vai entender o porquê de aleluia... Prefiro nem descobrir.]

Uma nuvem de pragas voadoras abomináveis é mais digno para eles.

Já notou que certas criaturas só aparecem à noite e em determinadas condições climáticas?

Vide cigarras. E esses cupins? De onde surgem tantos de repente?

Chego em casa e acendo uma luz. Apenas uma.

Pronto!

Dezenas deles invadem minha casa e se aboletam na periferia da lâmpada, ávidos por seu calor.

Fiquei olhando aquele bailar de asas frenéticas em volta da luz e pensei no quão insano eles são. Eles voam rumo à morte com uma urgência visceral.

Apaguei a luz pra me livrar deles e fui no escuro mesmo até o banheiro, láááááá do outro lado do apê. Acendi a luz e até sair não apareceu nenhum deles. Fui fazer outras coisas e quando voltei para tomar banho vi meu banheiro tomado pelos malditos cupins voadores.

Estavam pelo chão, dentro da pia e em cima dela, dentro da caixa de maquiagem, do pote de escova de dentes e do creme dental, e muitos voando por todo o cômodo. Me deu vontade de sair correndo e gritar… SOCORROOOOOOOOOO!

Quem me conhece sabe a aversão que sinto de insetos, baratas em especial. A minha primeira ação é sair correndo, depois gritar e por último chorar de medo.

Não tente entender e não me julgue fresca. Acontece nas melhores famílias.

Tive que entrar no meio da nuvem pra me livrar daqueles putos antes que eles se livrassem de mim. Eram tantos que já me imaginei sendo erguida por eles pela roupa e jogada pela janela aos gritos de guerra de “Vamu invadi!”.

Liguei os ventiladores da casa a fim de refrescar e desorientá-los. Sem tanto calor, deixaria de ser tão atraente ficarem por ali. Até ajudou, mas por outro lado eles começaram a tentar o suicídio coletivo e foram pousando em queda livre por todo o ambiente. Que ojeriza em vê-los andando por toda a parte, uns com asas ainda outros já sem elas, e eu no meio daquela infestação hedionda.

Baygon neles!

Riram da minha cara e continuaram me apavorando, inclusive querendo se vingar, voando na minha direção e tentando me escalar.

No fim, o chão do banheiro parecia ter um tapete daquelas merdas.

Depois de lutar bravamente contra os perniciosos visitantes e certa da minha vitória fui, enfim, tomar meu merecido banho.

Já me secando com a toalha branca e felpuda, sinto um algo a mais nas minhas costas e penso logo no fdp do cupim. E não é que um puto estava na toalha e se achou no direito de se alojar nas minhas costas.

Corno! Morra!

Venci o asco, peguei ele na unha e esmaguei com gana.

Filho da puta miserável! Vai passear no k7 agora! Puto! - gritei no “ouvido” dele enquanto agonizava ante a morte iminente.

Já estou pensando que hoje teremos mais uma batalha do bem contra o mal. Ou não, já que está chovendo. Tomara que morram todos afogados.

SFA alado.

εϊз Farfalla bacio

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Saga sem tiba

Uma saga é, por definição, uma história ou narrativa rica de incidentes. A minha de sábado foi estressante e engraçada.

Mas como duas coisas antagônicas podem se completar?

Lê aí…

 

Há tempos que quero assistir à peça Não sou feliz, mas tenho marido com a Zezé Polessa. Nenhuma semelhança comigo, caso você tenha imaginado isso. Sou BEM divorciada e estou feliz… Obrigada!

Eis que a peça está em cartaz no Norte Shopping e eu “toda toda” comprei os ingressos pela internet, com uma considerável antecedência, pra não ter erro. Apesar disso só consegui lugar na fileira J, ou seja, lá no fundão. Mas beleza, tá valendo!

Sábado tranqüilo tudo acontecendo conforme o planejado, alguma coisa tinha que acontecer pra cagar a programação.

 

 

A caminho do Norte Shopping, todos os sinais de trânsito resolveram nos sacanear e fechavam-se à nossa aproximação. Os abomináveis motoristas de final de semana também estavam, todos, zanzando naquele trajeto. Além desses, os motoristas kamikaze de táxi também estavam à solta por aquelas bandas. E mais um tera(byte) de carros e motos e até carroça pelo caminho para atravancar o trânsito já caótico.

Um percurso feito à 1ª, 2ª e 3ª marchas que já tava me dando nos nervos.

 

Enfim, chegamos!

Estacionamento mega do shopping e igualmente mega lotado. Paramos o carro a léguas. E lá vou eu no alto dos meus saltos altos, mantendo a pose e preocupada em não ficar cheirando a fumaça de cano de descarga.

Estacionamento de shopping é tudo igual, sempre fede horrores a óleo, gasolina e sei lá mais o que queimado e cheiro ruim sempre fica grudado na gente. Parece até que quer uma simbiose.

Sai de mim, coisa ruim!

 

Dentro do shopping, começa uma pequena busca pelo caminho que vai dar ao teatro. Mas antes, pit stop no pipi room.

Por milagre o banheiro feminino não tinha fila, apenas 1 pessoa esperando [Tá bom demais pra ser verdade.].

Parada em frente a pia, lavando bem as mãos, dou uma ligeira sacada no ambiente, aquele olhar de reconhecimento.

Putz… Quanta gente feia!

Saio meio correndo do ambiente. Vai que essa porra é contagiosa… Nessa onda da gripe dos porquinhos, não dá pra se descuidar, então na dúvida, melhor não arriscar.

 

Achado o caminho para o teatro, vamos rumando em meio ao mar de gente, e era muita gente.

 

Espetáculo cancelado! Dizia a faixa afixada bem no meio do cartaz promocional da peça.

TAQUIPARIU! Justo hoje?

O jeito é ir à bilheteria trocar o ingresso. Casal sendo atendido e um outro “casal” à nossa frente na fila. Vez deles trocarem o ingresso e começa a indecisão sobre o assento. Uma caralhada de lugares disponíveis e as duas bichas fazendo cu doce pra escolher o lugar. Eu, putaça, comecei a bater o pé pra ver se a demência homossexual virava algo mais produtivo. Me senti a própria Reese Witherspoon em Legalmente Loira batendo seu pezinho calçado num Prada para o suposto amante gay da sua cliente.

Conseguimos, enfim, trocar nosso ingresso e saímos dali já tentando pensar em algo legal pra fazer, uma vez que não tínhamos um plano B.

Comer alguma coisa era a primeira e única opção na nossa cabeça.

Eu não sei porque, mas tenho a impressão que a raiva desencadeia algum processo fagocitário. Logo após um ataque de raiva eu sinto fome. E assim, fomos em busca de algo ou algum lugar para comer. Estando dentro de um shopping seria fácil encontrar. Fácil?

É… Preciso mudar os meus conceitos de facilidade.

 

Avistamos a alguns metros de nós uma aglomeração agitada de aborrecentes.

Bando devia ser o coletivo de adolescente, pois nunca vi igual… Como gostam de andar arrebanhados e são barulhentos e espaçosos.

Tentamos vencer o bando em fúria, mas foi impossível atravessar aquela nuvem.

Desistimos e resolvemos voltar para casa.

O caminho de volta não foi menos árduo. Mas a fome era imensa e pensamos em algo lauto para comer: Outback.

Pelo avançado da hora devia estar apinhado de gente, como sempre.

 

Chegamos, enfim, ao estacionamento do shopping. Não tinha fila pra entrar, mas também não tinha vaga para estacionar. G1, lotado; G2, lotado; G3… G4…

Curvas e mais curvas sempre para o mesmo lado, já estava tonta e enjoada.

A fome que eu estava sentindo já tinha virado um misto de mau humor (Sim! Eu fico muito mal-humorada quando estou com fome), irritação e enjoo.

Esqueci de citar que nesse caracol de rampas tinha uma fila de carros a nossa frente.

 

“Tô enjoada!” – ronrono eu, pra lá de nauseada.

Ele me olha meio alucinado, faz um som gutural em sinal de adesão e abre o vidro do carro.

Entendi porra nenhuma. Abrir o vidro do carro dentro do estacionamento? Só se for pra inspirar monóxido.

Do nada ele solta um grito quase rosnado pela janela do carro, que veio do âmago… HAAGGGGRGRRHHHAAAAGGRRRRRHHHAHAAAGRRRGRRG!

 

Me tremeliquei toda. Ele, já com o semblante sereno, diz: “Agora sim, me acalmei.”

Depois do susto tive um acesso de riso descontrolado e quanto mais eu queria menos conseguia parar de rir.

[Doido varrido! Acho que encontrei meu par perfeito... ;-)]

 

Enfim uma vaga no último andar do estacionamento: G! (G fatorial). Antes fosse o Ponto G.

Tudo que sobe, também desce. Advinha onde fica o Outback… Isso mesmo: no subsolo.

Tonta de subir sempre para o mesmo lado, reverti a vertigem ao descer (sempre) para o lado oposto.

 

Não precisa nem dizer que tinha uma fila de espera FDP no restaurante.

Aquilo parece seita religiosa. Deve ter alguma ervinha do capeta na comida pra viciar todo mundo. Só vive lotado aquela joça. Depois de saber que tinham 50 e muitas mesas na nossa frente resolvemos ir para outro lugar.

 

K7! Depois de tudo isso, famintos, eu já irritada e impaciente, deixei ele decidir nosso destino.

Churrascaria. Quase onze da noite e nós dois iríamos nos entregar aos prazeres da carne. Ui!

Que paraíso! Manobrista, recepcionista simpática e muuuuuuitas mesas vazias.

Tirando o pastelzinho de sal e a carne mugindo, estava tudo perfeito.

 

SFA com direito a show de horrores no shopping, via crucis de ida e volta e urros desvairados. [Maluco atrai maluco.]

 

εϊз Farfalla bacio

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Ofídeos e a troca de pele

Mulheres e seus encantos.

TPM, Escova Progressiva, Depilação, Drenagem Linfática, Peeling de Cristal, Passeios no Shopping…

Um sem fim de adoráveis motivos para sermos idolatradas.

O que não entendo é por que nós temos mania de nos submeter a processos de tortura para nos embelezarmos.

Depilação é um treco que dói pra diabo. Nós fazemos virilha cavada. [não me peça para detalhar isso]

Massagens. Massagem é uma delícia, eu amo, mas drenagem linfática, massagem modeladora/redutora etc… É como uma sessão de tortura avançada e ainda pagamos caro por isso.

 

Não entendo mais ainda o motivo que me leva a usar ácidos no rosto e colo para tratamento de beleza.

Tratamento ou seria melhor dizer que é punição.

A parada é punk. Você passa um gelzinho inofensivo no rosto à noite e vai dormir. É geladinho, seca rapidinho, não tem cheiro, não arde nem dói.

No outro dia você acorda e lava o rosto com bastante água e sabonete neutro ou qualquer outra porcaria saponácea.

A pele já não é a mesma da noite anterior, está ligeiramente irritada, alguns pontos vermelhos e coçando um pouquinho.

Beleza! No dia seguinte tá tudo lisinho de novo.

No final do dia você tem a certeza que isso não acontecerá.

 

No dia seguinte o vermelhidão é total, já tem uma camada espessa de empolação e aspereza sobre a pele, tudo coça, arde, quase dói.

Penso comigo: “K7, que merda foi que eu fiz na cara. Isso tá feio, tá incomodando e nem sei quando vai passar nem o que passar pra resolver esse efeito lixa.”

 

Não é a primeira vez que eu passo ácido no rosto. Então eu até sei o que vai acontecer. São dias com essa aparência de queimadura, daí vai clareando e começando a descascar e a aspereza vai saindo com as peles mortas.

Mas até ficar bela e formosa de novo fico com essa cara de lixa usada, aqui e acolá mais e menos áspero, uma aparência meio escabrosa.

E tudo isso em prol da beleza.

Belezinha do demo, só se for. Não posso nem rir direito que parece que a cara vai rachar.

 

Mas depois que sai esse couro de cobra a pele fica linda, lisinha, viçosa, bumbum de neném mesmo.

Por isso eu cometo esse sacrilégio vez ou outra.

Mas é dose de aturar o incomodo que isso causa. E mais a cara de curiosidade das pessoas na rua que te olham como se estivessem olhando alguém com uma doença contagiosa.

 

Enquanto não preciso de cirurgia plástica para esticar nada vou usando meus creminhos e ácidos para não perder o viço.

 

SFA, com a cara craquelada e meio escabrosa, mas que vai ficar ainda mais linda depois que sair a pele de cobra.

SFA para quem mesmo depois de todo um procedimento agreste desse não ficar nem melhorzinha. Tem coisas que nem Pitanguy resolve.

 

εϊз Farfalla bacio

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Ato fálico

Tem gente que se amarra numa encrenca.

A sensação do perigo, do proibido interfere diretamente no raciocínio dessas pessoas que inundadas de adrenalina pendem a noção das cagadas em que estão se metendo.

 

E um puto desses sempre acaba colocando um amigo na furada. Furada sangrenta inclusive. Relato de fonte confiável, estava “implorando” pra vir para o SFA.

 

Vamos aos personagens.

 

Peixe Palhaço: O cara que se amarra em se enfiar em roubada. É noivo, mas está sempre arrumando um lanchinho fora do círculo de confiança. Tem um amigão que é o Saca-rolla.

 

Saca-rolla: Amigão (amigo pra caralho, literalmente) do Peixe Palhaço. Personagem principal dessa trama.

 

Garota Anzol: lanchinho do Peixe Palhaço. Mas desta vez ele foi fisgado!

 

 

Vamos à pescaria!

 

Peixe Palhaço dá um balão na noiva e sai com a Garota Anzol para um motelzinho da hora.

Começa a pescaria e tudo ia muito bem até que o aparelho ortodôntico da garota crava seu anzol no membro do Peixe Palhaço. Fisgado e num mar de sangue, dor e desespero ele resolve ligar para o Saca-rolla ir ajudá-lo naquela situação.

 

Você consegue imaginar a cena?

Não???

Ah!!! Já sei!!! Você leitor do SFA gosta das minhas narrações cheias de detalhes que quase dão pra ver a cena acontecendo na sua frente.

Então vamos lá.

Cena inusitada, pra não dizer foda mal dada:

Garota Anzol com a boca na botija, ou melhor, num ato “fálico” crava seus braquetes e demais equipamentos ortodônticos no Bráulio do Peixe Palhaço. Mas prende de uma forma que fura a pele atravessando de um lado ao outro, como um anzol fisga um peixe.

Imagina então a maior sacanagem rolando e de repente uma fisgada dessas.

Brochante? Completamente.

Só de pensar o seu equipamento aí encolheu (para os meninos), né não?

Mas antes de brochar, um banho de sangue era a única coisa certa na cena. Um membro rijo sendo furado só podia dar nisso.

 

Saca-rolla chega ao motel e fala para a recepcionista o que está acontecendo e que precisa ir até o quarto para salvar o amigo. A recepcionista não deixa ele entrar.

– Mas eu preciso entrar. Ele me ligou pedindo ajuda. Eles estão lá engatados e não vão conseguir se soltar sozinhos. – Saca-rolla argumenta.

– Ah! Estão engatados mesmo! – debocha a recepcionista.

No fim o Saca-rolla arrasta a recepcionista com ele para o quarto dos engatados.

Chegando ao quarto e vendo aquela cena bizarra e hilariante solta uma vibrante gargalhada e dá uma sacaneada no amigo.

Peixe Palhaço puto, nervoso e cheio de dor, manda ele tirar a Garota Anzol dali.

– Tira essa mulher do meu pau!

Saca-rolla dá uma averiguada na situação. Olha de um lado e do outro do falo abocanhado para ver como agir sem causar mais danos.

– Isso é praga daquela filha da puta da minha noiva. – grita o peixinho querendo achar uma explicação para a foda mal dada que ele se encontrava.

– E você não vai fazer nada para ajudar? Vai ficar aí parada olhando como se nunca tivesse visto um boquete? – Saca-rolla repreende a recepcionista.

– Desse jeito eu nunca vi mesmo não! – responde ela rindo.

 

Em meio aos gritos de dor do amigo e choramingos da garota, Saca-rolla consegue soltar os dois.

 

Depois de ter ido ao hospital, ter ficado dias com o brinquedo ferrado, inventado uma desculpa bem elaborada para a noiva e já ter se recuperado, Peixe Palhaço encontra o Saca-rolla, seu amigo pra caralho, num bar.

 

Pensa que ele aprendeu a lição ante a catarse?

Que nada!

Tava lá com um novo lanchinho pronto para ser devorado.

Mas depois do petardo o Saca-rolla tinha o direito de tirar um sarro da cara do amigo e pergunta à queima roupa: – Ela usa aparelho?

 

Antes de fazer um lanchinho é bom verificar todos os possíveis ataques de Murphy e a sua falta de sorte. Olhe a fase da Lua, o horóscopo, o vento, o humor da sua namorada (noiva, esposa etc) e o que mais você achar que deve. E mais ainda, tente não envolver seus amigos nessa roubada, senão, fatalmente você virá parar no Se Fode Aí.

 

Estrelando:

Garota Anzol, sobrenome Boquinha Maldita.

Peixe Palhaço, sobrenome Paulacerado.

Saca-rolla, sobrenome Mão Naquilo.

 

εϊз Farfalla bacio

 

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Insegura ficava a sua avó…

Quem nunca se sentiu inseguro na vida?

Seja lá pelo motivo que for essa sensação é bem ruim.

É uma angustia… Aquela mão enorme que aperta o seu coração e sua garganta ao mesmo tempo. Suores… Mãos trêmulas… Voz embargada.

Ir ou ficar. Fazer ou deixar pra lá. Falar ou calar. Sim ou não.

 

Dúvida atroz para qualquer lado que você olhe. Escolhas são difíceis e num momento “poço de lama” a coisa piora exponencialmente.

Abomino essa sensação e estar no epicentro de tudo é ainda pior.

 

Seu gerente chega perto de você, do nada, e faz a seguinte pergunta: - “Como está seu passaporte?”

Bem, ele já pressupôs que você possui um. [Devo mesmo ter cara de quem viaja muito.]

Por sorte eu achei o meu passaporte “perdido” e já tenho planos para usá-lo em breve, então tratei de providenciar renovação e em seguida o visto americano.

Diante desse tiro do gerente, respondo que já fiz o agendamento da renovação. Bem, a empresa andou sondando quem tem passaporte e visto já que está com negócios pelo planeta.

Antes mesmo de eu respirar ou me recuperar da surpreendente pergunta ele manda, à queima roupa: “Você vai para a Coréia.”

CUMA???

Coréia??? Lá do outro lado do mundo? Onde só comem arroz, cachorro, escorpiões e outras iguarias exóticas? Onde só tem povo feio? Onde quase ninguém fala inglês?

E para o meu absoluto desespero ele confirma.

 

A do Sul pelo menos?

Ah sim! – responde ele com ar de quem me deixou feliz.

E completa – É para uma província chamada Gumi. Fica a alguns km de Seoul.

Ahan! Muito reconfortante essa informação.

 

Três dias depois, insone e com medo de perguntar qualquer outra coisa vou recebendo informações desencontradas.

Vai. Não vai. Vai, mas não agora. Vai, mas sem data pra voltar. Não sabe se vai. Não sabe quando vai.

E estou eu aqui igual antibiótico pediátrico, que é sempre suspensão. Ou seja, me agitaram para dar a dose, que ainda não foi dada, mas eu continuo em suspensão sem conseguir assentar.

Pensa que acabou? Adivinha a rota, o avião, e a cia aérea.

Claro! A mesma do acidente que vitimou recentemente todos os integrantes do expresso da morte.

Pelo menos depois do acidente tudo fica mais seguro. (Tenho que acreditar em alguma coisa pra não surtar)

Mais uma notícia: Go alone!

Pra mais de 1 dia de viagem e sozinha. PQP! Haja livro e mp3.

 

Tem o lado bom, evidente.

Conhecer uma cultura exótica, um lugar cheio de simbolismo, milenar. A experiência profissional também será o ponto alto.

Em compensação ir pra lá é saber que não farei menos de 12h de trabalho diariamente.

Dorme com um barulho desses agora que eu quero ver.

 

Ingerir comida estranha com bichos esquisitos, ficar analfabeta da noite pro dia (quero ver você ler aquele bando de hieróglifos), com 12 horas de fuso horário, na alça de mira da Coréia do Norte e para trabalhar feito uma filha da puta.

SFA legítimo!

 

Hei de ser recompensada no paraíso.

Alguém aí sabe onde fica?

 

εϊз Farfalla bacio

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Nariz, chafariz, se fode aiz

Ninguém gosta de ficar resfriado, mas eu sou daquelas pessoas que gostam ainda menos. Abomino os sintomas de dor no corpo, tosse, dor de garganta, nariz escorrendo e aquela espirração desenfreada.

Se tem uma coisa que não gosto e de espirrar.

Sempre que espirro fico com uma leve sonolência e unida ao resfriado fico com nariz entupido e aquela sensação de olhos inchados. Uma merda!

Desde criança, sempre que ficava resfriada minha mãe me atormentava para assoar o nariz. Mas ela, coitadinha, no afã de não deixar que a pobre criança ficasse toda encatarrada e que isso culminasse numa sinusite, aloprava e me fazia assoar o nariz até ficar assadinho.

Ah sim! Resfriada, com tosse, nariz de cachorro (sempre molhado) e todo esfolado e perebento.

Cresci e isso não mudou quase nada. Continuo no frenesi de limpar o nariz deixando ele quaaaase emperebado, mas hoje estou mais para nariz vermelho e inchado dos desenhos animados.

 

Estou resfriada e espirrando feito uma maluca.

Como vocês já sabem, eu sou aquela flor de formosura e estabanação, então espirrar é um evento.

Quando estou sentada, beleza. O máximo que acontece são umas cabeçadas, mas em pé… Tombo certo. Como eu disse, me dá sonolência ao espirrar e como fisiologicamente ninguém espirra de olhos abertos… fodeu.

E espirrar é um treco escroto: barulhento, anatomicamente disforme, pois o corpo se contorce, a expressão facial também não ajuda e, além disso, pode ser recheado de alguma secreção nasal ou uns perdigotos.

 

Já saio de casa munida de lencinhos de papel, mas nunca dá tempo de pegar nada quando um espirro se anuncia. De repente vem aquela explosão que não dá pra controlar. Cambaleia pra lá e pra cá e se escora na primeira coisa que encontra.

Ufa! Foi por pouco.

No alto do meu salto 8, as coisas se complicam mais no quesito equilíbrio. Espirrar e continuar andando não funciona comigo.

Espirrar dentro do metrô é terrorismo em massa, quase como uma pandemia. Acabei não espirrando, mas fiquei naquela “masturbação”: vontade de espirrar e nada do espirro sair. Resultado disso foram olhos lacrimejantes e inchados, cara de sono e nariz ainda mais entuBido.

Desembarco e pressinto uma ebulição a caminho. Tento abrir caminho entre os lerdos transeuntes na plataforma. Ou isso ou ia espirrar no primeiro que estivesse na minha frente.

Minha nossa! Tava aumentando a vontade de espirrar e eu já ficando meio desorientada por conta dos olhos se fechando para o estouro da boiada. Passo da roleta e BUM!

Espirro e caio meio em câmera lenta escorregando pela parede.

Quando será que eu vou parar de pagar esses micos homéricos?

Um senhor segurou meu braço achando que eu estava passando mal e ajudou a me reerguer.

Quando olho ao meu redor as pessoas estão me olhando como se eu fosse um animal estranho e perigoso.

Putz! Que vergonha. Meu rosto queimava de vergonha e o nariz escorria de coriza.

Toda atrapalhada, pra variar, pego meus lencinhos dentro da bolsa e venho pelo caminho secando meu focinho.

 

Pior são os pobres coitados que trabalham comigo e serão contaminados pelo vírus.

Resfriado naquele momento catarse: nariz entuBidíssimo, voz rouca e nasalada, espirros em sequência de 6 ou mais de 15 em 15 minutos. Tá bom, né?!

 

SFA com nariz funga-funga, voz de pata rouca, aparência meio entorpecida e mais um king Kong na conta.

 

εϊз Farfalla bacio

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Cheirinho

Nós humanos somos animais bastante olfativos. Inconscientemente os odores nos afetam tanto quanto aos outros animais, mas como temos outros sentidos e somos psicologicamente complexos esses sentidos primitivos acabam sendo meio esquecidos.

Mas o que diria daquele “Amor à primeira vista”? Na verdade é um conjunto de fatores e mais o cheiro dele(a) que te fez apaixonar. O cheiro da pele, dos cabelos… Então seria mais apropriado um “Amor ao primeiro cheirinho”. Se não acredita em mim, leia sobre feromônios.

Mas da mesma maneira que os odores, perceptíveis ou não, nos atraem eles podem repelir também.

 

Mas por que esse mimimi científico?

Só para fazer a introdução do SFA que vai falar de halitose.

Hein?

Halitose: mau hálito, bafão, boca de latrina, bafo de onça etc.

 

Estava entediada em casa, nada de bom na TV, nada de bom pra fazer resolvi ir bater perna no shopping, tomar um sorvete e acabei indo ao cinema.

Ainda não entendi porque depois de venderem lugares marcados no cinema as pessoas ainda teimam em fazer fila pra entrar. Ô povinho pra gostar de se enfileirar!

Fiquei esperando a fila acabar pra poder entrar tranquilamente e tomar meu lugar privilegiadamente escolhido no meio da tela do cinema.

Chegando ao lugar percebo que está ocupado. Não fiz cara de bons amigos, mas a menina foi logo se explicando e como era um casalzinho não quis bancar a solteirona rabugenta e cedi o lugar. Fiquei igualmente bem posicionada, então isso nem interferiu em nada e deixei o casal agradecido e feliz. Boa ação na conta do dia.

Em compensação sentei ao lado de um cara que PQP…

Cada vez que o cara abria a boca, ou melhor, fossa eu tinha vontade de vomitar. Que bafo horrível, Minha Nossa!

Era um cheiro tão ruim e estranho ao mesmo tempo, que estava me deixando realmente nauseada. Para de respirar não dava, trocar de lugar também era improvável.

Sem solução para o problema olfativo do momento o jeito foi tentar conter minha vontade de mandar ele não abrir mais a boca. Mas nem isso eu podia fazer.

Munida de um copo de refrigerante, fiquei com o canudo na boca sugando o líquido bem lentamente pra tentar amenizar o cheiro. De repente o “odor de rosas” passou.

Ele fechou a latrina. Ó céus! Até que enfim.

Filme rolando de vez em quando eu sentia aquele odor fétido, mas passava logo.

Bebi tanto refrigerante e tão rápido que passei a maior parte do filme com vontade de fazer xixi.

 

Filme acaba, hora de todos se levantarem… Tava o cara lá colado na cadeira e eu querendo esperar a multidão sair até pra ver o nome de uma música da trilha sonora que gostei. Não deu pra agüentar, tive que zarpar e com pressa.

Pior pra mim foi ver que a namorada do sujeito estava ao seu lado e no final do filme um beijinho entre os pombinhos selava o amor incondicional.

Incondicional?

Sim, porque com um mau hálito daquele, só amando muito ou tendo problemas olfativos para conseguir chegar tão pertinho dele.

Que o amor é cego a gente já sabia, mas que ele também tem seus outros sentidos mortalmente prejudicados é novidade.

 

SFA pra mim. Da próxima vez nada de trocar de lugar com ninguém. Dane-se o casalzinho feliz, nada de boa ação ou então comprar um bafômetro para H2S (ácido sulfídrico)1

 

1. Para você que fugiu das aulas de química ou acha que eu estou me esnobando e não vou explicar que bagaça é essa, só pra te ajudar a lembrar instantaneamente do cheirinho que isso tem: ovos podres.

 

εϊз Farfalla bacio

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