Jabá romântico

Todo mundo sabe que as mulheres são mais românticas que os homens e que 11 entre 10 delas deseja receber um convite para um jantar a dois.

 

Filas ou consultórios médicos são lugares onde as pessoas costumam contar histórias para passar o tempo.

Essa eu ouvi e deu um perfeito SFA.

Duas amigas conversando, uma vira para a outra e diz:

- “Você não sabe da maior!

Marcelo me ligou na terça dizendo que queria me levar para jantar.

Menina! Fiquei toda boba!

Ele combinou de me buscar às 21h e eu corri pra me arrumar. Tratei de me embonecar. Tu conhece ele, né? Um convite pra jantar… é milagre de Santo Antônio.

E ele foi pontual e ainda foi me buscar na porta.”

 

E a amiga, surpresa, indaga:

- “Ele estacionou o carro? Não buzinou como sempre faz?”

A outra responde:

- “Nada, garota! Estacionou e foi me buscar na porta tocando a campainha e tudo.

Ah! Fiquei toda apaixonada.YYY

 

Mas aí começa a fase ladeira abaixo da paixão.

 

- “Ah amiga! Mas foi só eu abrir a porta pra minha paixão correr e se jogar pela janela. A criatura estava de bermuda e camiseta regata…”

 

Só faltou o chinelão no meio do pé, com aquele andar arrastado e desleixado. De boné então, ia piorar ainda mais.

Entendo a decepção da moça. Ela era do tipo que se emboneca mesmo. E dar de cara com seu amor, vestido para ir à esquina comprar pão, quando ele vai jantar com você é no mínimo triste. E pelo tom dela, estava raivosa.

A história piora depois que ela chega ao carro.

 

A coitada dá de cara com um amigo do namorado sentado no banco de trás do carro. Ali ela já sabia que a noite seria de abafar… o caso.

O semblante dela se transforma ao narrar a cena da chegada ao carro. Parecia que algo havia desabado. Como se uma pintura em aquarela tivesse tomado um banho de água.

E piora.

Ela pergunta onde irão jantar e o então namorado, todo lépido e faceiro, diz que é uma surpresa.

 

Bom, na minha opinião, depois da indumentária de “jogão no Maraca” do sujeito, do amigo no banco de trás, qualquer outra coisa ruim já seria esperada.

Ele toma um caminho meio suspeito: Cidade de Deus. De divino aquele lugar não tem nada mesmo.

Esquina após esquina, ele para em frente a um bUteco. [Sim, com U mesmo para denotar que o lugar era um cú.]

 

Com mesas e cadeiras de plástico, devidamente instaladas na calçada, já meio banhada de cerveja pelos ébrios freqüentadores do local.

Sentam-se e ele faz o derradeiro pedido: “Traz um jabá com jerimum.” Ou mais comumente conhecido como carne seca com abóbora.

Cá entre nós, essa não é a comida mais apropriada para convidar sua namorada para jantar. A não ser que ela peça.

Sem falar que pela descrição da incauta moça, parecia mais um atropelamento com fratura exposta seguida de morte, que propriamente algo para comer.

Os brontossauros se deliciaram com a iguaria e conversaram animadamente a noite inteira sobre toda sorte de balelas e inutilidades, bebiam suas cervejas e soltavam seus perdigotos. Mas o pior foi ignorá-la. Como se ela não estivesse ali, sequer foi questionada sobre o que gostaria de comer além do atual prato. No máximo um comentário muito comum entre comensais masculinos: “Fresca!”

E assim ela ficou ali, p da vida, faminta, enojada e pensando em como se vingar do namorado comilão.

 

Homens, não preguem este tipo de peça em suas namoradas, esposas etc. Mulheres podem tornar-se vingativas, ainda mais se estiverem na TPM.

 

SFA gourmet para os amantes da boa mesa… mesmo que seja de plástico e na calçada de um botequim “cospe grosso” (vulgo pé sujo).

Como disse a protagonista da história: - “É fim de feira demais!”

 

εϊз Farfalla bacio

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