Feriado com lindo dia de sol. Que tal uma prainha?
Junta os farrapinhos e parte para o cafofo na Barra.
Como o sol estava cruel e eu estou branca feito uma cera, começo a me besuntar ainda em casa.
Chego à areia e começo a me atiçar para cair na água. Aquele marzão me seduz e lembro os meus tempos de criança, quando nem tinha noção do perigo, mas queria ficar como um peixinho, o tempo inteirinho dentro d’água.
Ondas enormes e eu nem aí. Meu barato era ficar no mar.
Papai ficava de guarda, me segurando e freando meus ímpetos de mergulhadora. Muito sagaz me matriculou aos 5 anos na natação.
Minha paixão pelo mar está sempre viva em mim, mas hoje eu já tenho um certo medo. Já quase morri afogada em Camboinhas e a Barra é bem traiçoeira com correnteza e valas que te puxam para o fundo e ondas que quebram bem em cima de você.
E foi exatamente o que aconteceu.
Antes de entrar no mar, faço aquele ritual de ir me acostumando com a água, sempre gelada. Molho os pés, mãos, pescoço, barriga e vou entrando de mansinho até mergulhar.
Aquela sensação refrescante da água gelada é maravilhosa.
Entre um mergulho e outro o mar começou a ficar agitado e resolvi sair. Ficar tomando caldo na praia não é nada legal e antes de ficar exausta melhor sair e dar aquela corridinha pra fugir da arrebentação enquanto ainda tem-se pernas.
Saio do mar, mas a danada da onda me pega no caminho e fico com areia no biquíni.
Putz!
É horrível ficar cheia de areia e resolvo voltar ao mar pra tirar a areia.
Não contava com uma onda que parecia mais veloz que o normal e não deu tempo nem de entrar no mar nem de correr dela.
Me pegou no meio do caminho e… Catapum!
Caixote bonito.
Pra completar, meu namorado, que tentava me segurar, ajudar, salvar, acaba sendo encaixotado também e por cima de mim.
Me fudi!
Tomei uma tremenda joelhada dele no meu joelho.
Quilos de areia em todas as peças do biquíni. O cabelo parecia mais um recife de corais, nem dava pra ver os fios de tanta areia. Areia dentro do ouvido e na garganta também. Eu era um croquete gigante.
E tem que levantar rápido senão vem outra onda e acaba de arrebentar o que já está ferrado.
Naquela situação, levantar rápido era uma tarefa hercúlea. Mas, simbora!
E tive que entrar no mar novamente pra limpar um pouco da areia, porque estava impraticável.
Me larguei dentro d’água de qualquer maneira e fui mergulhando pra tirar parte da areia do biquíni e do cabelo. O joelho ardia e doía e eu mal conseguia apoiar o pé no chão.
Que merda gigante!
Um dia de praia virou um acidente que acabou com a minha farra.
E ainda tinha que ir pra casa, vencer a montanha de areia até a calçada (porque quando você está com dor ou machucado, qualquer aclive é uma montanha em potencial), atravessar a rua e andar uns 100m até a portaria do prédio. Pouco, né?
É. Mas anda tudo isso fudidaço como eu estava pra você ver como é difícil.
No banho, taquei muita água no arranhado que sangrava um pouco e na hora de passar sabão… uma dor da porra (porra como advérbio de intensidade).
Gritava e chorava porque sou a maior frouxa para dor, mesmo.
Quero nem saber de nada. Abomino sentir qualquer dor ainda mais de machucados. Odeio me machucar!
Depois do banho, gelo, muito gelo.
Melhorou um pouco, mas não evitou o roxão.
Meu namorado? Leve arranhão no joelho. Ainda bem, porque alguém tinha que cuidar de mim.
Resultado: um joelho que ficou roxo na mesma hora e sangrando, bumbum e perna ralados, ainda encontrando pontos doloridos até agora e nenhum bronzeado.
SFA aquático.
εϊз Farfalla bacio
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